31 de ago de 2011

Estreando no Hip hop - B boy Rapman

Quando eu aprendi a dançar break, eu fiquei muito empolgado com a minha mais nova habilidade e estava doido pra mostrar aos meus amigos. Hoje em dia é corriqueiro me ver passando um moinho de vento em um lugar completamente aleatório (tipo o corredor do centro de artes ou o Shopping Vitória) mas naquela época era novidade e uma pessoa que eu me lembro de mostrar a minha dança foi a Grasie (que eu não conhecia muito bem, mas que fez uma enorme diferença na minha vida um pouco a frente).

A primeira vez que eu entrei em uma roda de break, foi na Ilha do Príncipe, em um evento chamado "Segundão Hip Hop" (que ironicamente acontecia no domingo) Com aproximadamente um mês e meio de dança. Foi neste mesmo dia que eu tomei o meu primeiro corte no break:
_Ei, você dança? Porque você não entra na roda?
_É que eu estou esperando uma música melhor...
_B. boy não escolhe música. (ai!)
_É que a música vai acabar e vai virar...
_Se a música virar, você pega a virada da música (ai!²)
Depois desta eu não tinha desculpa. Tive que entrar na roda. Depois de entrar pela primeira vez, me senti mais confiante em entrar pela segunda, terceira e assim sucessivamente. No final do evento eu estava entrando praticamente sozinho depois de todos os b boys já terem ido embora. Me sentia feliz por ter estreado no break.

A primeira batalha a gente nunca esquece...

Em três meses de dança, pouco antes de eu me formar, eu participei (como público) do primeiro evento de hip hop. Era o "1° B. Girls Fight". Como o nome diz, era uma batalha de B girls (esta aí uma ótima piada para os meus amigos e inimigos me infernizarem... A minha primeira batalha foi em uma batalha de B. girls ¬¬). Em um dos intervalos aconteceu uma batalha que era inédita pra mim, se chamava "Seven Two Smoke" (procurem no google pra saber de mais detalhes). E nesta batalha participaram os b. boys. Por incentivo do Pelé e dos meus colegas de break, eu me inscrevi, só pra representar a turma (Acho que tinha um pouco de merda na cabeça também, pois sabia que não tinha chance contra ninguém ali). O valor da inscrição era R$5,00 e o prêmio era o dinheiro de todos os participantes.
Falar que eu estava nervoso é apelido, a minha primeira batalha foi contra o b. boy Abnael (Vila Velha Força Break). Até então ninguém me conhecia, então Abnael fez uma entrada pra derrotar um b boy experiente. Só me lembrei das palavras do Pelé: "Apenas faça a sua parte, independente do que o adversário fizer. Faça o que você sabe". Foi o que eu fiz. Eu estaria surpreso se ganhasse... Na verdade eu tomei uma surra, mas fiz o meu papél, e até que eu não dancei tão feio assim (pra três meses de dança) Só que eu consegui cair do baby freeze, o freeze mais fácil do mundo ever. Minha segunda batalha foi contra o b boy Max (Atos Crew) Esta batalha foi tão fail quanto a primeira, e o que me ajudou a ficar mais nervoso foi o Max me intimidando com o olhar. A terceira batalha foi contra o b. boy (Kevin), do qual pensei "por ser criança, eu acho que tenho mais condições de batalhar igual por igual". Resultado, foi mais vergonhoso ainda, porque tomei uma surra épica de uma criança.

Ao final da batalha, o vencedor foi o Max (de 7 b boys que se inscreveram) e eu me senti um pouco envergonhado pela minha performance fail. Só que o que me deixou feliz foram os comentários de Pelé e Fabrício Beatbox para mim. Eles disseram que pra três meses eu estava ótimo, e admiraram a minha coragem por ter entrado em uma batalha onde só tinha monstro. Isto me serviu de incentivo pra levar a minha dança à frente. Depois analisando os meus vídeos com calma, eu vi que não mandei tão mal assim... (claro... pra três meses)

CRJ - Centro de Referência da Juventude

2008 foi o ano marcado pra mim pelas artes Plásticas. 2009 começou e este seria o ano marcado pelo Hip Hop.

Como todos sabem, eu sempre tive muita familiaridade com o movimento hip hop, mesmo sem entendê-lo muito bem e sem fazer parte dele propriamente dizendo. Quem pode ler em postagens mais antigas, viu que eu tenho uma proximidade muito grande com o rap, mas existia outra coisa que me encantava também, o BREAK. Ver aqueles caras girando com as costas no chão fazia os meus olhos brilharem. Eu tinha que fazer parte daquilo, mas nunca encontrei nenhum lugar para aprender. No começo de 2009 isto mudou, um amigo me aconselhou o Centro de Referência da Juventude.

Break, e Beatbox

Conhecendo o centro, eu descobri que era um lugar que oferecia várias oficinas, dentre elas a que eu queria, o Break. Uma outra oficina me chamou atenção, Beatbox. Resolvi me inscrever nesta também só pra "ver de qualé".

O meu instrutor no break era o B. boy Pelé. Então eu posso dizer que ele é o meu pai no Break (Estou em 2011 e ainda o considero muito). Foi ele que me ensinou os fundamentos básicos da dança, a história e uma coisa muito importante que definiu todo o meu trajeto dentro do break. O fator "Dança". Se hoje eu sou um dançarino com todas as letras, posso dedicar parte disto ao Pelé, pois foi ele quem me mostrou que break não é simplesmente rodar no chão. Existe uma coisa que é levada mais em conta, a musicalidade. Com este pensamento como norte, eu tomei direções completamente diferentes de alguns amigos meus, que encontrei em batalhas no futuro.

No beatbox, o meu instrutor foi o Fabrício Beatbox. Nesta oficina eu descobri uma habilidade que eu não podia imaginar que tinha (e olha que na escola eu fui chamado de sem ritmo pra percussão).Quando ele me ensinou as técnicas, eu vi que podia fazê-las tranquilamente. Nascia aí uma caixa de batidas que iria ser o diferencial em vários eventos no futuro.

Graffiti

Acabadas as oficinas de break e Beatbox, eu me inscrevi no outro módulo no CRJ na oficina de Graffiti, com Alex Fagundes. Outra arte que eu gosto e que está ao mesmo tempo dentro das artes plásticas e Hip hop. O Graffiti vai ser importante em vários projetos que eu farei daqui pra frente.

Projeto Integral - Oficina de Quadrinhos

Crianças em risco social estão precisando de algum incentivo à cultura? Isto é um trabalho para o Rapman!!!
 



No segundo semestre de 2008, um ser revolucionário (Vulgo, 7 Linhas) me encontrou em uma comunidade do Orkut e, por alguma razão, enxergou potencial em mim. Ele me convidou pra fazer parte de um projeto que lidava com crianças em risco social. Era o Projeto Educação em tempo Integral.

A proposta era criar uma oficina de quadrinhos. A técnica e a vontade eu tinha. Também tinha uma pequena experiência. Aceitei a proposta e caí pra dentro!
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Chalenge Accept!!!
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Estava tudo pronto. Eu já tinha organizado as coisas para encarar o desafio. O horário que eu peguei era uma sexta a tarde. Cheguei timidamente no lugar e logo fui apresentado às crianças. No começo eu era muito organizado (como na maioria dos meus projetos), e a cada aula eu fazia um relatório de como foi o dia. Mas depois eu fui relaxando e... Já sabem, né... (como na maioria dos meus projetos).

Os primeiros meses eu fiquei muito em técnicas de desenho. como desenhar pessoas, cenário, animais... Enxergava técnica e vontade em uns e "tô nem aí" em outros. Mas mesmo nos "tô nem aí", eu via algo de artístico dentro deles. Acho que eu tava viajando, mas eu ficava muito impressionado com os heróis SEM PÉS.

Com o tempo eu fui descobrindo o quanto pode ser difícil lidar com criança. Sempre chega uma hora em que eles querem fazer hora com a sua cara, brigam entre si e tentam te testar. Eu procurava não passar isto, mas eu tinha (e tenho até hoje) muito medo de eles se rebelarem contra mim. A primeira vez que brigaram na minha aula, eu não soube o que fazer. 3 anos depois, quando isto se repetiu (Puts, 3 anos??? Eu to atrasado nas postagens, em... o.O), eu consegui segurar o menino.

Foi um ano e meio o período total que eu fiquei com as crianças do projeto Integral. Neste meio tempo, 7 Linhas saiu e eu fiz uma pequena amizade com as crianças. No final do curso (a confecção dos quadrinhos) um aluno conseguiu me enganar. Eu achei que ele tinha inventado uma história super genial, com um personagem super inovador... Mas fui descobrir pelos coleguinhas dele que ele tinha tirado tudo de um jogo... ¬¬ Enfim, ele é um jovem que tem muito futuro. Acho que vai ser um desenhista quando crescer (ou nem precisa esperar tento...)