30 de mai. de 2009
Rabbit Run
O Negro no Brasil
Desde primórdios da humanidade
A gente enxerga e se entrega a uma discriminação
Que viaja da república atual ao Brasil colonial
E nos trás a recordação
De que o negro foi tirado do seu povo,
Afastado da cultura e enviado pro Brasil
Foi maltratado, humilhado, pisado,
Jogado nesta "pátria que nos pariu".
Não se contendo em escravizar e tirar os seus direitos
Ainda deixam um grande trauma
Quando a sociedade branca, com uma cruz pendurada,
Diz que o negro não tem alma.
Ora... Como esta alma do europeu que era boa
Só pensando na lavoura e o que podia vender?
Mas era entre as chibatas que o escravo, açoitado,
Tinha muito mais alma que o seu Senhor podia ter.
Pra tentar escapar e restaurar sua cultura
Eles formavam os quilombos sempre à beira
Misturados com os índios e movimentos rápidos
Formou-se então a capoeira.
Por questões econômicas e pressão da Inglaterra
Finalmente abolimos a escravidão.
Mas o negro, ex-escravo, que se vê discriminado,
inicia no país uma favelização.
Pra algum tempo depois aparecer o camburão
E mandar ele pra prisão pra tirar ele da favela...
Mas se o Brasil aboliu a escravidão
CADÊ ESTA LIBERDADE QUE NÃO ENTROU LÁ NA CELA?
Cadê a justiça? O Brasil se calou?
Deus é por todos, mas a justiça não é cega.
Eles tentam convencer que o racismo acabou
Mas o nosso preconceito é um preconceito que se eleva.
Cadê a ordem e o progresso do país?
A gente tem lutar. Vamos reivindicar.
Construíram uma barreira que separa esta nação
Pra quê pichar? Se a gente pode DERRUBAR.
Pra quê esta barreira que separa esta nação
Se todos nós viemos de uma miscigenação?
Que enriquece e enobrece a cultura do país.
É a nossa voz que diz. E a de Deus... Por que não?
Nós somos filhos da terra que o branco pisou
Somos filhos da terra que o índio cultivou
Somos filhos da terra que o negro trabalhou
Demos origem a uma guerra que não tem vencedor...
Nosso povo é guerreiro, protegendo a nação.
Nosso povo é cabo-armeiro, nosso povo é capitão.
Nosso povo não tem medo de falar com emoção:
"EU SOU BRASILEIRO, LEVO MINHA COR NO CORAÇÃO".
Leonardo Luíz
10 de mai. de 2009
Melecoman Vs. Turista Nazista
9 de mai. de 2009
Estudantes Paladinos
Ao entrar no ensino médio, criei um grupo de amigos do qual estava presente o meu melhor amigo, TN. Nós éramos muito unidos e fazíamos brincadeiras uns com os outros. Me sentia bem tendo amigos tão palhaços quanto eu. Nesta época, eu já tinha alimentado em mim uma grande fixação por super-heróis que começou no Mosquito-Radioativo. Talvez a grande influência para a criação desta série seria um desenho que passava na MTV com os VJs como super-heróis: Mega Liga. Eu e um outro colega tivemos a idéia de transformar o nosso grupo de amigos em super-heróis com poderes baseados nas suas personalidades. Formamos então a nossa própria liga, a Mega Liga de Estudantes Paladinos._
Ficha dos personagens:
Melecoman - O garoto que, na vida real, tinha rinite alérgica e ficou conhecido por jogar um papél higiênico, após ter soado o nariz nele, no teto. O papél grudou e, acredito eu, está lá até hoje. O garoto era eu mesmo. Melecoman é um super herói bem versátil, com poderes de elasticidade e deformação. Geralmente ele ataca com o próprio corpo ou atira bolas de meleca.
Turista Nazista - Este meu amigo que era também o meu parceiro no rap. Turista pela camisa de havaiano que ele não tirava nunca e nazista pelo bigodinho mal feito que lembrava o Hittler. Como super, tinha uma prancha voadora e era especialista em bombas. Podia se explodir quando quisesse tbm.
Mulher Mil Germes - Uma garota que, após quebrar o braço, ficou sendo comparada (e se comparando) a um personagem de cinema que tinha germes no braço. Na história, era era uma alien que transformava os braços em tentáculos e sugava energia das pessoas.
Lagartozila - Uma garota que, sem saber, bebeu água do bebedouro que tinha virado piscina para lagartas de coqueiro (isto foi verdade mesmo). Para se transformar em heroína, ela tem que beber água de lagarto do seu cantil, que lhe daria super força (pelo par de braços a mais) e poderes venenosos.
Lanterna da Macumba Verde - Um dos idealizadores dos Estudantes Paladinos. Todos tinham medo dele na escola pelo fato de ele supostamente mecher com magia negra (ele era bem convincente nas mentiras). Na história ele tem o poder da telescinésia e da Macumba Verde.
Capitão Capetão - O peste da turma. Na roda de amigos ele era o terror. Como herói, Capitão Capetão tinha teletransporte e poderes de fogo. Ele vinha sempre acompanhado também de seu parceiro inseparável: o Cão Capetão.
Emola - A alta da turma que, na trama, ganha poderes de elasticidade. O codinome faz uma relação com o próprio nome desta pessoa.
Ninja do Sono - A típica aluna que sempre dorme na sala. Com seus traços orientais, ela se transformou em uma ninja que tem o poder de fazer o adversário dormir... Mas também de vez em quando ababa dormindo no meio da luta.
Estava formada uma liga com super-heróis pronta pra qualquer missão, inclusive no horário da aula.
_
História:
Cada personagem tem uma história única, não seguindo necessariamente a história real de cada um. (Capitão Capetão, por exemplo, ganhou o tridente mágico do Lanterna da Macumba Verde) As histórias de cada herói se chocam e os oito viram colegas de sala em uma escola bastante conturbada. Assim como os heróis, todos os vilões são baseados em amigos (e inimigos) nossos da época. Novos personagens foram entrando conforme o grupo foi crescendo também. As tramas se davam com questões cotidianas de uma escola, tipo um professor de educação física que escravizava os alunos, ou a mulher da cantina que colocava uma substância maléfica na merenda.
Desenvolvimento:
Apesar de ser uma história com uma narrativa boa, não me preocupei em construir quadrinhos em cima dela, mesmo porquê, eu estava me preocupando mais com o Claubin. A aplicação desta idéia ficou só na brincadeira do grupo. Cada um de nós assumiu a identidade do seu personagem e as histórias só ficavam na imaginação. Em um certo ponto, eu até comecei a levar mais a sério e construí cartõezinhos para cada herói e alguns pôsteres, mas não passou disso, pois a nossa história foi interrompida.
De volta ao rap
Outro motivo para eu talvez voltar a esta área seria o fato de eu ser muito baixinho e um alvo fácil para o "bulling". Eu não levei isto em conta na época, mas estive me analisando e vi que, sendo o "cara do rap", as pessoas iam me respeitar, e talvez tenha sido por isso que eu tenha começado com isto tudo. O rap era como se fosse a minha espada.
Junto com TN, eu estava mais motivado a fazer rimas por conta própria e fizemos algumas experimentações com os temas tédio, dengue e "tema nenhum". Nossa primeira apresentação juntos foi no dia do professor com o "rap do professor". E depois na igreja com "rarefeito" (uma versão aprimorada do rap do natal). Nossa parceria estava dando certo, fizemos letras pela primeira vez independentes de um acontecimento ou evento, como um rap falando de preconceito. Nos apresentamos duas vezes em passeatas cantando, respectivamente, "Estudante" e "Cidade abstrata" (uma letra abordando exploração sexual). Foi um sucesso! Estava voltando a me sentir um popstar, mas agora com mérito. Minhas rimas não eram mais infantis. Cantamos um rap para o aniversário da minha mãe (que mais tarde eu vou super reformular) e tínhamos planos para vários outros temas futuros. Fiz algumas rimas independentes para produção de texto, inclusive uma em forma de quadrinhos que mandei para um concurso. Juntos, formamos uma organização, a RapArt, seguindo os mesmos princípios da MusicArte. Nesta época, também, eu estava tão cheio de mim que entrei no meu primeiro duelo de rimas. Venci três primeiros idiotas que vieram me encarar, mas fui DETONADO, PISADO e MASSACRADO por um cada que chegou depois. Este acontecimento me deixou mal por umas duas semanas e me fez rever as minhas habilidades como rimador. Vi aí a importância da humildade para quem é MC. Isto enfraqueceu um pouco a minha carreira, mas não foi este o motivo para a minha novamente afastação.
_
A amizade que eu tinha com TN contribuiu tanto para a minha vida no rap quanto pra minha vida nos quadrinhos. Foi a partir da minha rede de amizades da época que eu comecei a trabalhar em outra linha que estava sendo nos meus desenhos, os Estudantes Paladinos. Mas um fato sozinho vai romper com as duas ao mesmo tempo. Fato este que vai ser explicado nos próximos episódios. :P
Team Cat
História
Em um mundo onde os gatos dominavam, um rato sequestra a princesa e, juntamente com seu exército de ratos, toma o poder e se coloca como rei, escravizando todos os gatos deste lugar. Um trio de agentes especiais é chamado pelo rei para resgatar a princesa e devolver o trono para quem realmente tem direito, eles eram a Team Cat. Gary (modificado do Hirap), um gato verde com um estilo radical, carregava um foguete nas costas, que usava para dar pequenos voos e atacar os adversários; Dase (Baseada na Dase mesmo), uma gata rosa bem feminina e sensual, usava das suas incríveis habilidades ninja para atacar e alcançar lugares diferentes; Tony (Baseado no Leosreggae), um gato azul, grande e forte, era a força bruta do grupo, o que geralmente enfrentaria os maiores perigos.
4 de jan. de 2009
Claubin nos games
Com a evolução dos meus personagens, comecei a pensar um pouco mais alto em relação a eles. A minha linha de produção principal era os quadrinhos. A animação, que está diretamente relacionada, seria a segunda fase, mas isto era só questão de adaptação. Nada muito distante do que eu já vinha produzindo. Por esta razão, dei uma de apressado e pulei logo da primeira para a terceira fase, os vídeo-games.
29 de dez. de 2008
Claubin
_
História
Claubin era um garoto que conseguiu bolsa em uma escola em outro estado. Para estudar nesta escola, Claubin saiu de casa para passar o ano na casa da sua tia, onde iria conviver com seus primos Bily e Bia. Eles tinham um gato chamado Flampi, que, a princípio, era só um personagem secundário, mas acabou ganhando uma atenção a mais. Na nova cidade, Claubin faz novos amigos, entrando para um clube, mas também faz inimigos, visto que o líder do clube rival tinha histórias e assuntos pendentes com ele. A história se desenrola nos conflitos travados pelos dois grupos e o conflito interno de Claubin, tendo que equilibrar a escola com o clube com a dificuldade de se viver longe de casa. Não é muito evidente, mas a história de Claubin tem uma cronologia própria. É possível notar que a série trabalha com cada personagem individualmente, mostrando a evolução e a especificidade de cada um.
Conhecendo o rap
28 de dez. de 2008
Anisups 2
Eu era vidrado no Sonic e respeitava tudo o que ele fazia. Aqui começaram dois desejos meus: a super-velocidade (que eu vou restaurar mais pra frente) e a antropomorfagia em animais, esta eu quis aproveitar agora.
De início, eu fiz uma radical transformação nos meus antigos Anisups. Eles que, antes eram meio animais meio humanos, agora eram totalmente animais, que agiam, falavam e se comportavam como pessoas. Me converti ao "fabulismo". O velho M, que antes era um menino esquilo, agora se transformou em um guachinin, mantendo as mesmas habilidades. N, que antes era o personagem secundário e um menino guachinim, se tornou um esquilo, assumindo a mesma função de antes, mas não mais como antagonista, como coadjuvante. O ambiente também mudou, eles viviam em uma floresta como uma civilização e a história foi reduzida ao mínimo. Eram simplesmente uma civilização de animais especiais desconhecida pelos humanos. Dentro desta segunda geração de anisups, várias modificações foram feitas até que se chegasse a um resultado no qual eu me estabilizasse um pouco.
História
Dentro de uma civilização de animais que agiam e falavam como humanos, quatro em especial se destacaram, sendo que cada um possuia uma habilidade especial. Hirap era um guachinin que podia voar com o simples girar do seu rabo; Leosreggae era um esquilo que tinha um alto poder de aderência e podia escalar qualquer lugar; Dase era uma gata que podia pular mais alto do que qualquer outro, ela também tinha unhas tão fortes que cortavam qualquer coisa; Denise era uma coelha que chamava atenção por sua incrível velocidade sobre duas patas.
Os quatro eram verdadeiramente amigos e foram marcados entre a civilização como os protetores da floresta. Juntos, eles impediam que qualquer mal acabasse com o equilíbrio da civilização, inclusive os caçadores, que eram os principais antagonistas (uma crítica à invasão dos humanos ao espaço dos animais. Mas claro que nesta época eu não tinha consciência disto).
A primeira edição terminada com os novos anisups era um desafio em dois âmbitos diferentes da minha vida. O desenho e o rap, que eu tinha acabado de descobrir. Fiz a revistinha inteira com as falas e onomatopéias convergindo em rimas. Foi complicado desenvolver, mas consegui e os meus amigos gostaram. A partir daí, criei a segunda edição e dei início a algumas possibilidades para uma terceira, mas a idéia já estava enfraquecendo e eu já estava partindo pra outra. Apenas a segunda edição eu tenho como amostra até hoje. Todos os outros registros se perderam com o tempo.
Com a segunda geração dos anisups, eu passei para o estilo cômico, dando menos ênfase à história e mais ao humor. O estilo cartoon continuou na minha carreira, mas eu vi que faltava alguma coisa. Eu não me identificava com os meus personagens como me identificava antes. Então deixei esta idéia de molho e parti para uma outra linha de desenho paralela, agora trabalhando com seres humanos.
